quarta-feira, 12 de julho de 2017

LUIZ MARQUES QUE TANTO ADMIRO

     Conheço há mais ou menos dez anos, o violonista, letrista e cantor Luiz Marques, em torno de quem, por inúmeras vezes, tive o prazer de editar pela imprensa, elogiosas críticas sobre seu trabalho. Marques domina mediante talento e esmerada técnica tudo o que tem feito.Gravações e shows da sua autoria,concorrem para o nosso engrandecimento no campo da música popular.É, por assim dizer, um dos mais genuínos menestréis que despontam em Minas, com prestígio além das nossas fronteiras.Em Portugal e outros países europeus, recentemente, registrou marcante presença, bem como através de brilhante turnê pela Estrada Real. Respeitado artista, desfruta da admiração dos colegas, destacando-se como referência. Moço de atitudes meigas, esmerada educação e cordial,conquista a simpatia de tantos quantos o conhecem, ou atuam ao seu lado. E, do público, recebe aplausos, os quais decorrem do amor que dedica ao seu trabalho.Música para ele, é uma espécie de religião que professa, sobretudo, por determinado desejo de satisfazer sua vocação, de indiscutível expressão.
    Dele, tive a honra de receber uma belíssima composição(letra e música), que ele próprio divulga, além de tê-la gravado em grande estilo.Algo que me comove profundamente, considerando a homenagem, expressão da delicadeza peculiar à sensibilidade que possui.
    Ontem,dia l0 de julho, conversamos muito ao telefone.Como tem acontecido com todo o povo brasileiro, também Marques não escapa das dificuldades geradas por essa crise que assola o país! Mas, asseguro-me de que a nuvem pesada haverá de passar.Dias melhores hão de vir, porque "do fundo do poço, só é possível olhar para cima...", afirma a sabedoria dos nobres.
   Como diria a velha canção  "...sacode, levanta a poeira e dá volta por cima".É isto aí Luiz! Em frente, porque Você é um vencedor e nada haverá de diminuir o seu entusiasmo pela música, para a alegria de todos nós!
   QUE DESPROPÓSITO!
   Mais lamentável, caro amigo, não são as nossas perdas materiais, mas, a decepção que tanto nos abate, gerando até mesmo definitivo desânimo. Falo isto, perplexo-dentre tantos fatos- com o que ocorreu no Senado Federal,ontem, dia ll de julho. Uma instituição que prima, historicamente, pela austeridade e a decência dos seus parlamentares, foi alvo de inusitado desrespeito, por parte de senadoras que obstruíram os trabalhos da nobre Casa, ocupando abusivamente a sua mesa diretora.Acabam de perder o direito de contestar tudo o que se faz pelo atual governo.Até mesmo as luzes do plenário foram desligadas.Enfim, uma baderna inconcebível, típica de terrorismo! Não é assim que se postula uma causa, caras senhoras.E as senhoras sabem disso!Digo eu quixotescamente, como todo e qualquer brasileiro "humilhado e ofendido",(parafraseando Dostoiewski)pelo descalabro de tamanha corrupção e absoluta falta de decoro. Ruy Barbosa deve estar se revirando no túmulo!!!
   Coisas assim, acabam prejudicando toda sociedade que confia naqueles que foram eleitos para  representar-nos.
   Por estas e por outras, caro Marques,é que estamos neste patamar de inferioridade e sofrimento na nossa condição de cidadãos e cidadãs de bem;que estudam, trabalham e, honestamente, ganham a vida.A vida que é dom de Deus e que deve ser absolutamente respeitada. Portanto, não se deixe vencer pelo desânimo, levando em conta que políticos indignos jamais terão o  nosso voto.E, 2.0l8 se aproxima.Espere, porque, em breve, tudo estará nos seus devidos lugares, exceto os indesejáveis ...Que Deus o abençõe ,à Sandra,Luíza e demais familiares.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

NÃO SÓ DE FUTEBOL E SAMBA CARECE O BRASIL...

É a palavra do admirável  Wilson Campos, presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Sistemas Coletivos da Sociedade(OAB-MG).
 Encareço do nobre articulista, licença para reproduzi-la nesta página, considerando-a elogiável trecho de matéria,recém editada pelo jornal "Estado de Minas", cujo teor engrandece o meu próprio ego de defensor da idéia. O brasileiro, deveras, não mais se identifica com a mísera condição do "pão e circo",  como solução(?) para a satisfação dos desfavorecidos;dos que vivem à margem da sociedade e  jamais tiveram a oportunidade de estudar e formar a conscientização indispensável  ao engrandecimento patriótico.Aliás, com sérios e irreversíveis prejuízos ao desenvolvimento político e sócio-econômico de um povo.Por muitos séculos, desde l500, temos sido um povo relegado ao que o referido autor chama de cultura "tupiniquim", imposta pelos nossos colonizadores  e os donos do poder republicano.Ressalvo o Período Imperial, espécie de coluna mestra do melhor que se pôde fazer neste país.Outrora, republicanos senhores de engenho, coronéis e, ainda hoje, sob  disfarce,apologistas e executores de uma política populista.Uma política que valoriza seus titulares ( ou caciques), cujas promessas não passam de engodo, com o colorido ditatorial perverso.Pleonasmo? Quem trabalhou, como tive o privilégio de trabalhar por duas décadas na então Seplan-MG, estruturando um planejamento sócio econômico, de visão macroeconômica, entende que o dinheiro resulta do trabalho. Que somente pelos aspectos financeiros; pela imposição de impostos, um país não cresce. Mister que todos estudem, se intelectualizem, especializando-se para oferecer a sua cota de PRODUTIVIDADE, mediante eficaz profissionalização, de compensadora remuneração.É o que sabemos como ruptura do ciclo vicioso da pobreza, de causação circular descensional,ministrada nos cursos de Economia, Sociologia e Política.Sem entrar no mérito deste raciocínio de delongadas etapas, no entanto, considerável é a educação de um povo que se insere num mundo moderno, devendo competir com as mais desenvolvidas nações do planeta, visando sua sobrevivência e soberania.   Noutras palavras, o povo brasileiro -como bem conceitua Campos- não suporta, como não deve suportar, a estagnação que o populismo determina, oferecendo graciosa renda, de ínfimo valor, muito pior que esmola. Porque, simplesmente, "compra" voto de um eleitorado chamado " de cabresto" que acredita num líder "carismático",tanto quanto ignorante, mas espertíssimo, como salvador da pátria.Que se satisfaz  como torcedor de qualquer time, bebendo cerveja e sambando...E neste diapasão, a sensatez de Campos, chega-me como um bálsamo que ofereço  aos meus seguidores:
" O brasileiro não suporta mais a pecha de tupiniquim e ser conhecido, apenas, pelo futebol e samba.O brasileiro quer ser visto por outro jeito melhor e mostrar a sua competência no futebol, no samba, na ciência, nas artes, no agronegócio, na indústria,no comércio, na prestação de serviços, nas profissões liberais, na tecnologia, na defesa do meio ambiente e no progressos com sustentabilidade". 
Digna de louvor a mensagem de relevante importância, com a qual concordo e divulgo, enviando cordiais cumprimentos ao colega, seu autor.Sou advogado, inscrito na OAB-MG, nossa egrégia instituição,à qual me orgulho de  pertencer.
Uma sociedade voltada ao hedonismo e aos prazeres encontra apenas na quantidade a sua realização enquanto se desfaz em qualidade. Caso duvide, experimente: gosta de quindim? Uma delícia, um prazer de doce. Muito bem. Agora coma 50 e nos conte se o prazer foi o mesmo...

quarta-feira, 28 de junho de 2017

RETRATOS DA VIDA...


Com Palhano Jr. em exposição no ICBEU - BH (ANOS 90). Ao fundo o retrato de Bidu Sayão pintado por mim e ofertado a ela. Hoje encontra-se incorporado ao acervo do Metropolitan de Nova York





Com: Jaime Dias ( violonista); Odette Ernest Dias ( Flautista da OSB) e Adélia Prado ( Escritora)
Com Selma Weissmann e Lilian Chaves.
Com Odette Ernest Dias e Adélia Prado. 
(Anos 90)

A PRAÇA DA LIBERDADE NÃO ESTÁ SÓ...

Em sintonia com o título desta matéria, a praça da Liberdade não é a única afetada pelo descaso  do poder público.Símbolo da história desta capital, por muitos anos foi sede do governo do estado, palco de acontecimentos que marcaram os destinos deste país. Local  que, segundo a lenda, terá sido amaldiçoado por uma velha, considerada bruxa, que arrenegou o palácio  que seria construído no local em que morava, tendo sua casa desapropriada pela comissão que executava a construção da nova capital.Comentava meu avô, pioneiro, vindo de Ouro Preto,em razão do cargo de funcionário que ocupava,que o descontentamento com a transferência da capital acabou gerando pragas à "Cidade  Minas"(como fora batizada  a futura Belo Horizonte).Muita gente, revoltada,chegou a formar núcleos de "rezas bravas", macumbas, enfim, tudo que fosse possível para maldizer a nossa cidade. E parece que nalguns aspectos, tais antagonistas conseguiram lograr algum êxito.
Talvez eu esteja exagerando,mas, a coisa por aqui anda difícil!A indigência crescente, em que pessoas ocupam os logradouros, instalando-se miseravelmente,dormindo no chão,fazendo suas necessidades fisiológicas  em plena via pública, enfim, doloroso quadro considerado por algumas instituições como "direito".Direitos humanos, proclamados pela constituição como expressão da plena liberdade, em torno do qual,  nada se pode fazer, sob pena de se cometer uma arbitrariedade.Mas, se esquecem de que a responsabilidade do governo é propiciar a essa gente infeliz, condições de sobrevivência.De sobevivência pela educação, saúde, pelo saneamento básico, emprego, obtenção de renda.Em suma o dever de conferir a todo e qualquer cidadão, meios  para que todos tenham a devida ascensão social, etc. etc. Nunca, porém, esse populismo "misericordioso" da esmola como subsídio e maneira de se estabelecer o "eleitor de cabresto". Cujo voto é vendido por qualquer tostão.Ou, por vezes, em troca de um pão com mortadela, como se tem visto por aí...E de que modo fica o direito do cidadão que produz, paga impostos,em suma, que contribui para o bem estar das pessoas, sob quaisquer prestações de serviços? Este cidadão passou a não mais ter nenhum direito sobre as praças , principalmente as praças "revitalizadas", a elevadíssimos custos e destinadas aos desocupados, concorrentes dos miseráveis. Desocupados e criminosos.Pichadores que danificam bens públicos e particulares.Além de assaltantes que , por um celular de um adolescente, é capaz de cometer homicídios! Que "direito" é esse que vale, apenas, para alguns?
Volto à praça da Liberdade, para dizer que não está só.Ao contrário, suas paritárias encontram-se em situação bem pior.Ei-las:
PRAÇA RAUL SOARES: talvez a mais visada, não só pela sua localização,mas por ser passagem para o Hipercentro, Barro preto, Lourdes e Santo Agostinho.Entrecortada por  quatro grandes avenidas, dispõe de imenso espaço ajardinado, com fonte(outrora luminosa) e frondosas árvores, espécie de "paraíso"aos que a adotam para ali se acampar. Seus moradores que se danem.Nem mesmo lhes tem sido possível utilizá-la civilizadamente.Mas o IPTU não para de ser cobrado, sem nenhuma contraprestação ao contribuinte.A gente reclama com um policial e ele responde:"...não posso fazer nada, porque a constituição proíbe".No mínimo, piada que transforma gargalhada em revolta.Se a reclamação segue para prefeitura, tudo é prometido, mas,o atendimento dificilmente verificado.Se atende,logo logo,  o problema volta a se manifesta.Vide a esquina da Olegário Maciel, subindo para Lourdes, em frente ao JK. Um bando que a adotou como sua propriedade.O mínimo que faz é emporcalhar o ambiente, desalojando o comércio que não consegue conviver numa parceria de tal ordem,mediante absoluta razão.
Paisagisticamente, a Raul Soares foi maltratada. Os nobilíssimos postes de bronze e luminária cristalizada, foram substituídos por uma espécie de paus de fósforos gigantes, alguns já desmontados,sem reposição. Feios, jecas, sem relação paisagística com a praça, outrora cartão postal.Luxo que acabou virando lixo!!! E como ficam os moradores, com seus imóveis  desvalorizadíssimos? Olhem  o que se fez no "entorno": quarteirões fechados, inviabilizando a entrada principal do ed.Casablanca, tombado pelo patrimônio.E o quarteirão da avenida Augusto de Lima com a rua Sta Catarina? Um reduto de absoluta licenciosidade sexual, de baderna e poluição sonora.Como acontece, também, na avenida Bias Fortes, com seus bares barulhentos até altas horas da madrugada.Bem debaixo de  edifícios residenciais(Indaiá e Belo Horizonte).
A fonte imunda, passou a ser lugar de natação, banho e lavanderia.Uma vergonha desmedida.E não há reclamação que tenha êxito,ficando tudo, por isso mesmo,com os canteiros pisoteados, sem nenhuma flor,onde deveriam ter rosas...
PRAÇA SETE: que sempre foi a referência cívica Belo Horizonte, é hoje um mercado de camelôs sem limites, envolvendo pseudos artesãos que se dizem artistas, mas, na maioria desocupados,barulhentos, com talento para a droga e  o banditismo.Gentalha  pelos "encantadores" equipamentos,onde ficam deitados, assentados, urinando, evacuando, etc, etc.Quarteirões fechados, absolutamente descaracterizados por uma "urbanização"ridícula, a começar do pirulito, com seus postes laterais, descaracterizados por luminárias de material inferior, horríveis,  tanto quanto inadequadas, como as que foram colocadas na Raul Soares.Nada menos que desfiguração do requinte paisagístico anterior à "revitalização".
Seria bom que os encarregados de tais projetos, fizessem um estágio no Rio de Janeiro e dessem uma "olhada" na Cinelândia e adjacências, observando sobretudo os postes e os mosaicos que ornamentam toda área.Verdadeiros tapetes, ao contrário do que se tem feito aqui.
PRAÇA CARLOS CHAGAS:até então, um local muito agradável, bem frequentado, bucólico, com excelente pavimentação de pedras nobres. Noutras palavras, livre de demandas impróprias, tais como os skates que,agora, ameaçam aos que transitam por lá.Dominando toda antiga beleza da praça, a igreja N.Sra. de Fátima, principal indicação religiosa e turística, dispunha do seu adro(hoje inexistente) e o estacionamento que tanto  contribuiu para o "Caritas", projeto de benemerência,criado e dirigido pela dita paróquia.Além do mais, facilitava o acesso de fiéis às missas de sábado e domingo.
Com a "revitalização" que durou meses de dispêndio de dinheiro público, a praça perdeu seu charme.Virou uma espécie de parque,envolvendo a frequência, inclusive de vândalos.E o mínimo, foi a pichação, até então inexistente. Obra, em que o atual piso, sempre imundo, lembra os arcaicos "vermelhões", que foram matizados com material branco, à obtenção de uma cor rosada.Material tão inferior, que já se notam rachaduras, em meio a um chão encardido,manchado e até pichado.
A Assembléia Legislativa de |Minas Gerais, juntamente com a Prefeitura Municipal,-ao que consta- , responsáveis pelo projeto, não tiveram a esperada  consideração com a igreja católica.Neste aspecto, o emérito Padre Tadeu, então vigário, acabou vencido.E vencida ficou a igreja, ao ponto de quase perder  o prédio ao lado, construído para funcionar como secretaria e dependências para as indispensáveis necessidades da paróquia.A alegação é de que " enfeiava " a paisagem...Diga-se de passagem que por meses, somando mais de um ano,as obras quase inviabilizaram o acesso à igreja, com prejuízos aos seus frequentadores. O resultado talvez tenha beneficiado, apenas, o reduto da Assembléia e a criação de área de lazer que sem dúvida, pode ser considerada oportuna,lamentando-se, entretanto,a perda do estacionamento.
Com a nomeação do novo vigário, Padre Fernando, a igreja vem passando por inúmeras reformas e só Deus é testemunha da luta que o dinâmico sacerdote-com sua energia e peculiar dedicação- tem passado.Mister que o estacionamento seja recuperado, pelos benefícios que gera.
A SAVASSI:considerado centro de tradição cultural e comercial, a reforma pela qual se submeteu, quase levou à falência inúmeros estabelecimentos,lojas, galerias e congêneres.Durou um tempo enorme, com resultados que, apenas, deformaram tudo de bonito que ali havia. A começar pelas estruturas metálicas, tão jecas e tolas como jamais se vê numa metrópole. Sinais luminosos de trânsito, dependurados como roupa no varal; indicações de ruas e avenidas, numa provinciana concepção de inúteis equipamentos. Hoje totalmente pichadas, as inconcebíveis armações, com seus penduricalhos,só prestam mesmo para serem removidas, ainda que tanto dinheiro  terá sido jogado no lixo. E o povo pagando IPTU, para que? 
Aliás, em matéria de bom gosto paisagístico, Belo Horizonte que já foi bonita, mais parece, agora, uma colcha de retalhos, a partir dos edifícios aprovados pela prefeitura, autênticos caixotes erguidos sem qualquer  restrição. 
Invadida, como as demais praças revitalizadas, por desocupados, bandidos e vândalos, a Savassi não escapou, tornando-se lugar perigoso, notadamente à noite. Perigosa mesmo, além de perder sua expressão turística.
O tema abordado não esgota tanta reclamação em torno das ruas, praças e avenidas da cidade. Por exemplo, os passeios mal pavimentados, com mosaicos de um lado e cimento cru do outro, ainda que tenham a trilha para deficientes visuais, são feias arapucas, principalmente para estes, em que indicações os levam para um poste; uma vala ou para um ponto inconsequente.
MORAL DA HISTÓRIA: em que pese ser a praça da Liberdade um marco  de relevante expressão, mister que se pense na sorte  das demais e de outros logradouros. É dever do governo municipal zelar pela conservação de toda cidade.A nossa imprensa, de certa maneira, tem sido omissa na medida em que só enxerga uma única praça, esquecendo-se das outras. É o espírito provinciano que parece persistir, como se Belo Horizonte fosse uma cidade de uma só praça. Mas é lamentável, muito lamentável, que a praça da Liberdade  se encontre numa situação deplorável.Quanto às demais, é bom nem comentar,sob pena de sermos acometidos de um infarto...Haja coração!!!




Retrato do soprano Bidu Sayão




.Retrato que tive a honra de pintar e oferecer ao soprano Bidu Sayão- a mais aclamada soprano pátrio, em todo o mundo. Com seu espírito altruísta, a meu ver mais que generoso, enviou-me uma carta do Maine, em que me agradece como minha "admiradora", o que me incentivou a prosseguir como pintor. Mais tarde, conforme se vê neste blog, a maior chance da minha vida jornalística foi tê-la conhecido,quando pude entrevistá-la, dela recebendo toda espécie de carinho a um "patrício". O Brasil, a meu ver, não correspondeu  devidamente, a um dos seus grandes ícones.Sequer, a estrela fora lembrada, quando se comemorava em New York, no Metropolitan Opera-sob pompas e circunstâncias- o centenário da cantora. Também  apontada, ao lado de Katharine Hepburn(várias vezes premiada com a premiação máxima do cinema, o Oscar),como as duas mais importantes mulheres, nos Estados Unidos, do Século XX. Por aqui, ninguém falou ou fez coisa alguma.Esperava-se que, pelo menos, a então direção do Municipal do Rio de Janeiro ( terra da cantora), fizesse algo de relevância mundial...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

THEATRO MUNICIPAL DO RIO:VÍTIMA DE INUSITADO DESCALABRO

PROVA TAL A CONFIRMAR O QUANTO A ALTA CULTURA NESTE PAÍS ESTÁ SOLAPADA - COMO SEMPRE, OLAVO TEM RAZÃO!

O mínimo que se pode dizer é que o país convive com inusitado descalabro cultural.É o que se depreende do noticiário da imprensa escrita, televisiva ou radiofônica.Notadamente a cidade do  Rio de Janeiro, nossa portentosa sala de visitas;que encanta o mundo não só pela beleza natural, como pelas incomparáveis manifestações artísticas, lideradas pelo Carnaval,é a grande vítima da corrupção. Na mesma sintonia, o seu Theatro Municipal, cuja história desponta riquíssima, desde a sua fundação nos primórdios do século 20, encontra-se assolado,  praticamente destruído!Edificação predominante na Cinelândia, lembra o L'Opera, de Paris.Não só pela arquitetura de requintado gosto, como por sua tradição, de incomparável valor artístico e cultural, demonstrada por uma programação diária. Óperas, balés, concertos, recitais, teatro,enfim, toda gama que emoldura a grandeza de um povo,a nobre Casa exibe com o justo orgulho de um das mais destacadas do mundo.
Convivi de perto com satisfatório clima que existia naquele "templo da música", tendo conhecido um dos seus mais aclamados diretores. Murilo Miranda, assim como Adolpho Block, Matheus Torloni, José Mauro de Vasconcellos, dentre outros tão ilustres que deixaram indeléveis marcas de gestões exemplares. Na direção artística- o grande suporte de um teatro- a maestrina Cláudia Morena desponta defensora de prodigioso exercício, sobretudo dos intérpretes. Historicamente, Gabriella Besanzoni Lage, terá sido, sem nenhuma dúvida,a mais valorosa das diretoras.Haja visto que Paulo Fortes foi uma das revelações incentivadas por ela.Ademais, considerada a nossa maior "Carmen" de todos os tempos,título ostentado no Theatro Municipal. Cantores e cantoras, também preparados por ela, na condição de co-repetidora das grandes montagens líricas. Co-repetidor é a pessoa  incumbida de passar todo repertório,avaliando as possibilidades de um cantor ou uma cantora, ao mesmo tempo corrigindo deficiências e apontado acertos.Em suma, responsável pelo aprimoramento interpretativo dos que executam papéis complexos, nos diversos espetáculos de uma temporada.Função que Cláudia Morena exerceu por longo tempo,com absoluta capacidade.
A ópera é considerada a mais abrangente das encenações teatrais.Envolve maestros, regisseurs, bailarinos, cenografistas, estilistas(guarda-roupa), iluminadores, coreógrafos, além dos cantores.Entre nós, ao contrário de muitos países, compete ao estado definir dotações orçamentárias para acobertar as decorrentes despesas.Consequentemente, o governo acaba assumindo o poder de nomear elementos para a sua direção,nem sempre coerentes com os objetivos da instituição, gerando prejuízos à consecução dos seus objetivos.
O Municipal é, por excelência, um teatro lírico. Ou seja, destinado à ópera e congêneres.Para tanto, não pode prescindir dos chamados "Corpos Estáveis" que são a orquestra, o balé e o coro. Sem os quais, não é possível levar adiante a montagem de um espetáculo de tal envergadura. Bom lembrar que toda essa gama de intérpretes dedica tempo integral ao seu trabalho. No mínimo, oito horas de jornada diária, incluindo às vezes,  os sábados, domingos e feriados no calendário de "dias úteis".E os ensaios costumam ocorrer noite e madrugada  adentro!!!
 Nada menos que tamanho esforço e persistente abnegação,definem o caráter profissional dos que prestam a sua contribuição(  ou até mesmo a própria vida), em prol da edificação da nossa grandeza musical. Impossível seria relacionar tantas celebridades, nas quais se incluem  integrantes internacionais, como Enrico Caruso ou Claudia Muzzio que adoraram  o Brasil!
Ao que se sabe, o nosso principal teatro começou a sofrer prejuízos à época em que esteve fechado para reformas,pela década de l980.Ao ser re-inaugurado,houve por bem a sua administração convidar elementos do Colón de Buenos Aires, para promover temporadas.  As queixas foram inúmeras,na medida em que os nossos artistas passavam a ser "analisados" por uma equipe alienígena, às vezes prepotente e intolerante.Excetua-se o maestro Cellaro, reconhecedor do mérito de consagrados solistas pátrios.Estes mesmos solistas-dentre os quais o próprio Fortes- que acabaram pelo país afora, de norte a sul e do leste ao oeste, apresentando-se, como eles próprios diziam  "de maneira mambembe".Tiveram o beneplácito do então ministro Ney Braga,homem de evidente sensibilidade e senso de justiça.
Para  sumarizar,o Municipal foi perdendo a dignidade conquistada ao longo de décadas, ao ponto de o seu museu, retornando à condição de um restaurante (Assírios) , haver "perdido" precioso acervo,incluindo as placas comemorativas que foram "arrancadas" das paredes do foyer e do hall. Só Deus sabe aonde foram parar!!!Alguns dizem que se encontram "preservadas" num galpão no bairro de Jacarepaguá e, até mesmo no Cemitério do Caju, alguns bustos de sopranos, confundidas com a Virgem Maria,embelezando os túmulos,foram encontrados...
Superada a fase portenha, ainda que elogiosa sob o ponto de vista  artístico, a reação da classe interessada obteve alguns trunfos, registrando-se momentos de elevada conceituação em torno da reputação do Municipal.
Pouco a pouco, a partir do governo Collor, o descaso pela música erudita acentuou-se,inclusive pela extinção de órgãos e entidades de relevante expressão.A pior fase, sem dúvida,aí está, na mais evidente consequência de uma política desinteressada em apoiar projetos culturais, entendidos como elitistas.O que não passa de demagogia, estribada num desatinado populismo,responsável pela  indigência que se verifica dentre os mais desfavorecidos.
O DESCALABRO
A imprensa divulga sob título garrafal, o estado de miséria do Municipal carioca:"...salários de bailarinos e músicos atrasam e obrigam profissionais a viver de bicos..."E o exímio primeiro bailarino Felipe Moreira,de memoráveis performances, divide o palco com um táxi que dirige, para manter suas contas em dia".A desolação invadiu as dependências do teatro, deixando-o à mercê da sua própria sorte, sem recursos, sequer, para despesas de custeio, é o que parece.É o caos que causa indignação social, quando se ouve dizer de tanta ladroeira; de recentes  governadores do Rio que extorquiram o erário, sem o mínimo de respeito aos interesses públicos.Autênticos ladrões,  desonestos nas suas atitudes, à frente de poderosos cargos. Eleitos pelo povo, através da falsidade ideológica(mentiras) que souberam enredar com finalidades ilícitas.  E pensar que, por muito menos, Maria Antonieta e Luiz XVI acabaram na guilhotina,graças à Revolução Francesa...Que no Brasil, haja justiça e restauração do estado de direito democrático, atualmente confundido com programada desordem para a adoção de uma ditadura, talvez mais grave que a venezuelana.
O IDEAL CONTINUA
E continua valendo-se da predestinação de talentosos e idealistas artistas, ovacionados semana passada, quando as portas do Municipal se abriram (à duras penas) para a apresentação  da empolgante "Carmina Burana" de Carl Orff, de supremacia coralista,  consistente massa sinfônica e magistral regência.Heróica a apresentação da bailarina Viviane Barreto que, a despeito do oitavo mês de gravidez em que se encontra,esteve exuberante no cumprimento de uma coreografia de extrema dificuldade. Bravíssima!!!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A ENFERMIDADE SOCIAL DO BRASIL

Durante o curso de Ciências Econômicas, dentre eméritos professores,jamais me esqueço do dr.  José de Faria Tavares.De elevada postura intelectual e evidente seriedade, cobrava-nos, sem quaisquer condescendências,o dever de aprender.Fazia arguições orais, sorteando o expositor que deveria falar para a turma.Numa bela manhã de primeira aula às sete horas, sobrou prá mim.Um susto! Ele, muito honestamente, colocava tão somente algum tema em torno do qual já havia ensinado em aula.Ainda assim, não era nada fácil... Chamou-me para ocupar sua cadeira(como se eu fosse dar uma aula); assentou-se na minha carteira, enquanto meus colegas me "gozavam" com aquelas caras de desafiante deboche.Eu muito pálido, tão magro,sorria sem graça, dominado pelo pavor de falar besteiras e levar, seguramente, um xingamento  daqueles! Então o professor colocou o ponto: "Você discorrerá sobre a epistemologia do objeto da Sociologia. Minha situação ficou ainda pior, sem saber o que seria aquela palavra tão esquisita.Olhei bem para o austero Tavares e perguntei: " ...episte, o que, professor? Ele acabou rindo e, generosamente, explicou que se trata dos  estudos críticos, dos princípios e das hipóteses das ciências já constituídas.A situação ficou pior para mim,mas, logo o mestre deixando de lado certo sadismo, abriu o jogo e disse: "...o que você sabe a respeito dos pensadores da sociologia?"Lembrando-me do que se tratava, fui adiante, começando por Comte e Spenser.Em seguida, falei de outros como Gabriel Tarde, Emile Durkein, mas, não deixei a "peteca cair" totalmente.

Analisando  a gravíssima situação brasileira dos últimos anos, busco, justamente nas proposições de Comte e Spenser,bem alinhavadas por outro notável mestre Emílio Moura que, através da Cadeira intitulada "História do Pensamento Econômico",comparava o organismo social ao humano.Aliás,a correlação com o pensamento dos referidos filósofos, despontava clara e curiosa.Noutras palavras,para os chamados fisicistas, como se  depreende dos ensinamentos de  Comte e Spenser- assim como o nosso corpo- o "corpo social" também é vulnerável às enfermidades, algumas letais.
É isso aí. O "corpo social" do Brasil está assolado por uma doença quase incurável.E o pior, é concluir que tudo decorreu de inusitada corrupção ativa e passiva, envolvendo quase todo universo político,  nos níveis governamentais.É o "corpo social"consumido pela enfermidade que não é apenas física.É, sobretudo, moral.Porque antes da miséria, entra a desonra. 
No exercício de um dever patriótico, compareço às urnas.Ano que vem, teremos eleições diretas, o único remédio para a recuperação do moribundo"corpo social", é claro, depois que essa camarilha estiver encarcerada ou banida do país.


LUIZ MARQUES QUE TANTO ADMIRO

     Conheço há mais ou menos dez anos, o violonista, letrista e cantor Luiz Marques, em torno de quem, por inúmeras vezes, tive o prazer de...